O que uma start up de soluções para governos pode conquistar em 5 anos?

No mês de março, o Colab faz 5 anos de lançado oficialmente. Mais precisamente, no dia 27 de março é que comemoramos. 

De lá pra cá, passamos por diversas evoluções, algumas conquistas e MUITOS desafios – este ponto específico tratarei, em breve, em um outro post. Aguarde!

Hoje, gostaria de colocar em única publicação alguns dos principais marcos que tivemos nos últimos anos e contar um pouco da nossa história como empreendedores fazendo essa coisa tão fascinante que é uma startup de impacto social para conectar a população aos governos.

O Colab foi lançado em março de 2013 apenas para pessoas da cidade do Recife e sem nenhuma prefeitura oficialmente na plataforma, e em poucos dias, alguns milhares de usuários já começavam a se cadastrar e usar a ferramenta para publicar fiscalizações de problemas, propostas de melhorias e avaliações dos serviços e espaços públicos da cidade.

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Essa foi uma das primeiras publicações que realizamos no Facebook do Colab! Muito legal rever como tudo começou!

Foi aí que em junho, após termos inscrito despretensiosamente o aplicativo no AppMyCity, premiação da New Cities Foundation, tivemos a notícia que estávamos na final contra uma ferramenta israelense, e a PublicStuff, empresa norte-americana na época com mais de 200 prefeituras como cliente nos Estados Unidos. Diante de uma platéia de mais de 500 pessoas, o Colab foi naquele dia eleito o melhor aplicativo urbano do mundo! Sim, do mundo!

 

Pra quem não imaginava ganhar nem um campeonato de bolinha de gude no bairro, ter seu negócio escolhido por especialistas do mundo inteiro como o mais relevante era algo incrível pra quem não tinha nem 3 meses de existência.

O que nos disseram: o Colab foi escolhido por ser social, por dar transparência e, principalmente, por estimular colaboração.

Prêmio 1 na mochila, era junho, e junho foi o mês das manifestações populares que estouraram após o Movimento Passe Livre questionar o aumento das passagens do transporte público na cidade de São Paulo. Em pouco tempo, as manifestações sob o lema “não é só por 20 centavos” ganharam as cidades de todo o Brasil. Neste momento, imagine-se sentado ou sentada na cadeira de um governante: “O povo está na rua do Brasil inteiro se manifestando e protestando por melhoria nos serviços do governo. Pera aí! Tem uma startup aqui do Brasil que ganhou esse mês um prêmio mundial por tentar ajudar com isso? Quem é essa turma? Chama eles aqui!”

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Foto tirada pelo Mídia Ninja em Junho de 2013 – Fonte: https://jornalistaslivres.org/1-n98o8fhhxq4eqyyusqryvg/

E foi assim que prefeituras e governos do Brasil inteiro buscaram o Colab para bater um papo e entender um pouco do que pensávamos sobre relação cidadão e governo. Lembro-me bem da semana com uma conversa com o prefeito de Maceió, Rui Palmeira, no outro dia no palácio da Guanabara com o então governador Sérgio Cabral  e no terceiro dia seguido com o  ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Todas foram conversas abertas onde tínhamos espaço para falar sobre o que acreditávamos ser um elo perdido:

O cidadão não vê na maioria dos governos a sua demanda ser escutada e tratada e, do outro lado, não é fácil estar sentado na cadeira de governo e tratar uma máquina enorme sem ter demandas estruturadas e qualificadas.

Pois bem, foi nessa época também que fechamos um primeiro investimento semente com a A5 Investments, gestora de um fundo de capital de risco brasileira que acreditou no nosso propósito e nosso negócio. As conversas com as Prefeituras evoluíam e com a grana do investimento começamos a montar um time melhor para desenvolver nossa tecnologia.

Foi aí que em março de 2014, exatamente um ano depois de lançado e já com algumas dezenas de milhares de usuários, recebemos a Prefeitura de Curitiba como a primeira oficialmente a usar a rede social como canal de atendimento e relacionamento oficial com o cidadão. Um detalhe: a ferramenta foi disponibilizada gratuitamente para os cidadãos e para a entidade.

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O portal de notícias G1 comentou sobre a expansão rápida do Colab em Abril de 2014.  Fonte: http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2014/04/prefeituras-comecam-usar-app-para-receber-reclamacao-de-cidadaos.html

Neste caminho, ganhamos mais alguns prêmios, fizemos muitos contatos e, mais importante, recebemos mais algumas dezenas de prefeituras adotando o Colab oficialmente.

É aí que em 2015, em Abu Dhabi, o Colab é eleito também top-5 aplicativos de governo e participação do mundo!

Outra chancela que demonstrava que mesmo 2 anos depois, continuávamos no caminho certo, porém, agora, já com muito mais resultados para mostrar.

No mesmo ano, e esse merece também um post inteiro para contar os detalhes, começamos um trabalho com a Comunitas dentro das prefeituras de Campinas, Santos e Pelotas. Agora, tínhamos um time dedicado viajando pelo Brasil para ajudar de DENTRO DO GOVERNO na relação com o cidadão.

Esse foi o vídeo que a Prefeitura de Pelotas fez para divulgar seu novo canal de atendimento ao cidadão.

Nesse momento, evoluímos absurdamente nossa plataforma com mais de 100 gestores públicos para termos, quase que sob medida, algo que agilizasse os serviços de atendimento, relacionamento e, principalmente, na melhoria da gestão de serviços municipais.

Foram diversas reuniões, apresentações, treinamentos, metas definidas, acompanhamento diário da resolução dos casos e a certeza de que conseguimos, sim, melhorar a gestão com muita participação da sociedade. Acreditamos que tínhamos tão bons resultados na gestão que pensamos além: agora, como trazemos a população para auxiliar nas tomadas de decisão do governo? Como podemos colocar o cidadão como protagonista dessa relação para que sua participação gere engajamento, gere poder e, também, controle social?

A solução: trazer projetos técnicos bem fundamentados como opções para que o cidadão escolhesse que caminho tomar. De alguma maneira, colocar o cidadão sentado na cadeira de gestor público para tomar decisões sobre o futuro da cidade.

Em Pelotas, a equipe de trânsito da prefeitura desenvolveu duas possibilidades técnicas sobre a mudança de trânsito em uma das principais avenidas da cidade e colocou para os cidadãos decidirem qual opção seguir. A consulta à população foi bater nos grandes veículos de comunicação local e estadual e mais de 4.000 pessoas participaram da tomada de decisão.

Ao mesmo tempo, em Campinas, a prefeitura abria uma consulta para o cidadão decidir algo bem simples, mas muito icônico: qual banda deve tocar em um evento aberto ao público em um dos principais parques da cidade? Existiam ali algumas opções e as pessoas decidiam. Por que falo que é icônico? Claro que existem políticas de cultura que devem ser seguidas não necessariamente por clamor popular, mas, por que, de vez em quando a população decidir o que quer assistir se a verba ali destinada será pública? Ora, o cidadão escolhe a banda, vai ao show e o peso da decisão sai da caneta de uma secretaria.

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Essa é clássica, sempre contamos esse caso por aqui.

Uma segunda consulta, então, começou a ser desenhada: perguntar à população, dentre 5 projetos de 5 secretarias diferentes que custavam em torno de R$1.000.000,00, qual deveria ser feito. Também acho essa consulta icônica, mas dessa vez por um motivo diferente. Veja bem, imagine-se sentado na cadeira de prefeito ou prefeita da sua cidade. Se você tivesse recursos infinitos, provavelmente todos os bons projetos apresentados seriam aprovados e realizados, certo? Se não há problema de dinheiro, os gestores públicos colocariam R$1.000.000,00 em todos os projetos que vissem pela frente. Mas aí é onde está o problema: os recursos não são infinitos e é difícil tomar uma decisão de onde investir um recurso razoável para os cofres públicos. Então, porque não, após uma verificação de viabilidade técnica, colocar a população para decidir o caminho desse recurso? Foi aí que milhares de pessoas da cidade de Campinas escolheram o projeto “Costurando Sonhos” para a criação de centros técnicos de corte e costura para a população se capacitar e buscar através do emprego um melhor futuro.

Ainda em outubro de 2015, em Washington, o Banco Interamericano de Desenvolvimento reconhece o Colab como a startup de maior potencial global e maior impacto social. Belo reconhecimento por conta de muito suor!

Evoluindo nos processos participativos por dentro da rede social Colab, em março de 2016 (sim, parece que março é um mês que tudo acontece por aqui! (: ), em conjunto com a Prefeitura de Santos, lançamos o Orçamento Participativo. Mais de 150 projetos divididos em 5 eixos – cidadania, educação, infraestrutura, saúde e segurança – e nas 5 regiões da cidade para o santista decidir onde investir. Basicamente, você podia escolher em qual projeto educacional do seu bairro, como a reforma de uma escola municipal, uma verba seria investida. Mais de 10.000 pessoas participaram. Se presencialmente através das assembléias a participação alcançava cerca de 300 pessoas, agora uma boa parcela da população virava protagonista dessas decisões.

Logo depois, em abril, a Brazil Conference, evento realizado na Universidade de Harvard e no MIT, em Boston, eram palco para contarmos nossa história e vários casos de sucesso. Alguns meses depois, o mesmo acontece no Brazil Forum, desta vez na Universidade de Oxford e na London School of Economics, em frente a estudantes, congressistas e até um Ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro.

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Nosso CEO, Gustavo Maia, palestrou no mesmo evento de grandes nomes do cenário nacional, como Rodrigo Janot, Carmen Lúcia e a inspiradora Joyce Toyota

Em outubro de 2016, fechamos também o nosso “series A”, rodada de investimento onde a Media Development Investment Fund, de Nova Iorque, e a Omidyar Network, maior fundo de impacto social do mundo tornam-se sócias e investem recursos para que tenhamos uma empresa ainda mais sólida e com um produto melhor tanto para os cidadãos quanto para os governos.

O ano de 2017 começa e pode ser marcado como o ano de consolidação das ferramentas de participação dentro da rede social Colab. Trabalhamos com uma plataforma colaborativa para o Programa de Metas da Prefeitura de São Paulo, a Revisão do Plano Diretor e Territorial de Teresina, o Plano Plurianual e Orçamento Participativo da Juventude de Niterói, o Plano Estratégico Contagem 2030 e a avaliação da política pública de Bibliotecas da Paz pela Prefeitura do Recife. Como você deve imaginar, cada caso desses merece uma publicação específica que virá daqui a pouco. 🙂

Para finalizar o ano, mais um reconhecimento incrível, dessa vez como um dos vencedores do Pitch Gov, concurso promovido pelo Governo do Estado de São Paulo (sim, temos também o reconhecimento em premiações governamentais) onde, a partir dele, iniciamos conversas e foi publicado no Diário Oficial do Estado a nossa convocação para trabalharmos com nosso primeiro governo estadual na mesma plataforma. Ou seja, tanto faz se você está em uma cidade como Campinas ou Santos, agora, também, não importa se você quer falar com a prefeitura ou com o governo do estado, todos estarão ali pra no mesmo local para se relacionar com você. Vai ser bem incrível!

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Quando recebemos a notícia de que fomos selecionados como finalistas do Pitch Gov! Que emoção!

Nesse momento, temos diversas novidades vindo quentinhas. Aliás, acabamos de voltar do SXSW, maior evento de economia criativa do mundo, em Austin, nos Estados Unidos. Como sempre, vamos ao redor do mundo tentar aprender com o que há de mais moderno para trazermos soluções de impacto para o nosso país.

Um abraço e até já! 🙂

 

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