O engajamento das pessoas no que diz respeito à vida em comum é um fenômeno extremamente importante para tornar as cidades cada vez mais democráticas e inclusivas. Na medida em que o poder político é muitas vezes refém do poder econômico, a participação popular nas decisões é um contraponto essencial, pois ajuda a retomar a ideia de que as políticas públicas devem ser realizadas em função da população e de seu bem estar, e não em função de pequenos grupos econômicos.

Mas, além desse diálogo com a política institucional, é possível também se engajar em ações autônomas, que buscam não depender do estado e de sua burocracia para existir, mas apenas da criatividade e da auto-organização das pessoas. Pensando nessas questões, trouxemos nesse texto 5 cidades onde o engajamento das pessoas é um exemplo para os brasileiros. Confira!

Belo Horizonte

Já faz alguns anos que a cidade de Belo Horizonte vem sendo palco de ações coletivas que visam repensar o espaço público e a relação dos seus moradores com a cidade. Um dos exemplos foi a criação do Espaço Comum Luiz Estrela em um casarão abandonado que era propriedade do Estado e que não cumpria nenhuma função social. Na calada da noite, um coletivo entrou no local abandonado, fez uma grande limpeza e passou semanas realizando atividades culturais, discussões e chamadas para a ocupação do espaço. Depois de várias tentativas de desocupação e pressão da polícia e do Estado, o coletivo conseguiu chamar a atenção da opinião pública até ganhar o direito de gerir o casarão. Hoje, o espaço está em processo de reforma e muito em breve abrirá as portas como um centro cultural autônomo, onde toda a população poderá propor, ocupar e realizar as atividades oferecidas.

5 cidades exemplos de engajamento

São Paulo

A última grande iniciativa em São Paulo relacionada à ocupação do espaço público e sua utilização para fins coletivos é a tentativa de criação do Parque Augusta. Um terreno de 24.750m², entre as ruas Augusta, Caio Prado e Marquês de Paranaguá esteve durante muitos anos fechado e com seus impostos atrasados, ou seja, sem cumprir nenhuma função social. O terreno possui vegetação remanescente da Mata Atlântica e quase 800 árvores catalogadas. Após a notícia de que uma construtora estava de posse do local com o projeto de construir duas torres, um grupo de pessoas ocupou o terreno com atividades culturais, discussões e reivindicações para que a área não sofra a intervenção de prédios, mas se transforme em um parque para toda a população. As negociações ainda estão em curso na prefeitura e na câmara dos vereadores, mas a pressão popular mostrou como é possível mudar os rumos das decisões.

Niterói

Um grupo de amigos criou em Niterói a “Turma da sopa de Niterói”. Um coletivo que visa cozinhar e distribuir sopa para a população carente da cidade no horário noturno. Esse grupo, que cresceu para além dos vínculos de amizade depois de sua divulgação e atuação não tem compromissos religiosos ou políticos, mas suas ações são inegavelmente voltadas para a solidariedade e necessidade de pessoas que carecem muito desse cuidado. Com certeza suas atividades servem de exemplo e inspiram outras iniciativas.

Amsterdã – Holanda

A capital da Holanda é mundialmente conhecida pela quantidade de bicicletas que circulam por suas ruas, fazendo deste o principal meio de transporte da maioria da população. Essa prática é, sem dúvida, inspiradora e deve servir de modelo para todo o mundo, pois faz diminuir os engarrafamentos, a poluição do ar e a dependência econômica para a mobilidade urbana. Uma vida que se move a duas rodas e a pedaladas tende a ser mais livre, mais saudável e mais autônoma. No Brasil, as ciclovias tem sido reivindicadas pela população, e aos poucos e com muito custo elas têm surgido nas principais vias das cidades.

Todmorden – Inglaterra

Há 7 anos um projeto chamado Incredible Edible, criado em uma cidade do interior da Inglaterra, tem investido em hortas urbanas e garantido alimentos gratuitos para toda a população. A ideia começou no próprio quintal dos idealizadores, mas logo se expandiu para locais públicos, como canteiros, praças e outros pedaços de terra disponíveis. Cerca de 300 voluntários mantém as hortas pela cidade, e qualquer pessoa pode colher e consumir o que foi produzido.

E você, já conhecia algumas dessas iniciativas? Conhece outras que gostaria de compartilhar com a gente? Deixe seu comentário e vamos aumentar esse mapeamento de iniciativas inspiradoras!